antes e depois faça você mesmo

Nada a perder (ou síndrome da Galinha D’Angola)

Quando não se tem nada a perder, você fica mais livre, né? Foi essa a sensação que eu tive quando dei de cara com essa cômoda numa venda de garagem. Bati o olho nela e minha imaginação foi lá longe. Afinal, pior do que ela estava, não podia ficar, né?

O preço? 45 reais. Estado? Razoável. Potencial? Daqueles de deixar as mãozinhas nervosas.

Enquanto pensava se trazia uma cômoda dessas pra uma casa onde não cabe nem mais uma banqueta, ponderei: se bem que tô precisando de um lugar pra guardar minhas minhas tralhas. E, como ter um ateliê num apartamento quarto e sala é sonhar alto demais, resolvi me dar o luxo possível de uma “cômoda-ateliê”.

O quer fazer com ela? Ah… olha bem pro seu estado… o que ela tem a perder?

Vamos aos materiais? 
Como queria fazer toda a transformação num só dia, escolhi, mais uma vez, a tinta em spray, que seca muito mais rápido que tinta. 
Os puxadores são da Trinca-Ferro, onde sempre comprei todas essas belezuras. Só que, dessa vez, tudo teve um gostinho diferente, pois recebi um e-mail deles falando para eu ir na loja escolher de presente os puxadores que quisesse para essa reforma! Chique no último, não? Depois de quase 40 minutos na loja em dúvida sobre qual levar, resolvi ficar com 1 de cada, pois já tava com vergonha da vendedora olhando a minha cara de extrema seriedade para escolher entre o puxador turquesa claro e o turquesa escuro. Ê, laiá…
Bom, então fica a dica! Até porque você sabe que, mesmo se não ganhasse, meus puxadores seriam de lá. Ah, e eles vendem online e entregam para todo o país.

Os puxadores antigos estavam presos de uma maneira pra lá de misteriosa. Pra tirar, só arrancando, quebrando, naquele famoso jeitinho “força bruta”. Para resolver a cratera que o puxador antigo deixou, massa corrida para madeira…
… e uma generosa lixada, pra tirar parte da tinta anterior e dar uma boa nivelada na madeira.

E como eu já aprendi a lição de prévias grandes cagadas, dessa vez a pintura em spray foi feita na garagem do prédio!

Duas mãos de tinta. Meia hora entre uma mão e outra e tchanann: cômoda quase nova. A tinta em spray é ou não é um material abençoado?

E pra quem tava curioso pra saber que raios é essa tal de Síndrome de Galinha D’Angola… aí está. Eu sou apaixonada por tudo que é preto de bolinha branca, sabe? Tenho fronha, vestido, enfeite de cabelo e agora até um mini-ateliê. 🙂

Então pronto: SOS móvel que ninguém queria mais, virou meu ateliê xodó.


Reparou na plaquinha das “boas energias”? Foi só uma graça pra não deixar essa ripa de madeira ir pro lixo. Pra fazer, besunte a madeira com cola e vá arrumando a linha no formato das letras. Depois, é só deixar secar que fica assim.


Agora me diz: quem não tem um móvel esquecido em casa? Reforma total nele djá, vai…
Medo de errar? E o que ele tem a perder?

“Criatividade é permitir a si mesmo cometer erros. Arte é saber quais erros manter.” Scott Adams