blá blá blá do <3

Brincando de Casinha

Lembro muito bem de como era quando eu tinha lá os meus 10 anos. Ah, como eu brincava de casinha… E não precisava ter a companhia de uma amiga, não! Era capaz de ficar horas ali, sozinha, construindo cada detalhe daquele espaço imaginário. Chegava a perder a noção do tempo. Lembro ainda que a graça maior não estava exatamente em brincar de casinha, mas sim em montá-la toda, deixá-la do meu jeitinho pra depois… bom, depois a brincadeira acabava. E começava outra vez, e outra vez, e outras muitas vezes. Ou seja: a diversão toda era arrumar a casa e só. Você também tinha disso ou era comigo? A graça ficava por conta da caminha, do banquinho que eu fazia de mesinha, do quadrinho que ficava ali, da plantinha que ficava lá. Tudo muito “inho”, literalmente.

O que eu não lembro foi de quando essa brincadeira toda acabou. Ou qual foi o dia exato em que abri os olhos e passei a não mais brincar. Aliás, de forma alguma. Mas eu sei que foi assim, num piscar de olhos, que aquela fantasia toda um dia cedeu ao ritmo que a vida adulta vai tomando.

Já os homens, estes sim, são mais evoluídos que nós mulheres nesse quesito, já parou pra pensar? Eles conseguem manter esse espírito da brincadeira vivo até hoje com maestria. Que homem você conhece que não tem aquela brincadeirinha sagrada da semana? Aquele do futebol da galera do trabalho, ou que não passa um sábado sequer sem pegar onda, sabe? E aquele então que não perde o pôquer com os amigos ou que não dorme sem “zerar” aquele joguinho do computador? Pois é, e que saber? Eles é que estão certos, pois ainda conseguem separar um espaço no meio da rotina (que também é puxada) pra fazer algo só pra eles, por lazer. Ou em outras palavras, pra brincar.

A vida é corrida, e eu não sei? Tem trabalho, tem casa, tem academia (porque é piada chamar essa aí de brincadeira), tem família, cachorro e periquito. É pra internar a pessoa que, depois disso tudo, ainda quer espaço no fim do dia pra ficar brincando. Será? “Mas ele não tem uma máquina de roupa pra bater e uma casa pra arrumar. Aí é fácil” – você pensa. Sei bem como é, afinal, também sou mulher. Mas pensa também: se você tem uma casa pra manter em ordem, todo santo dia, por quê não fazer dessa hora um momento de prazer em vez de obrigação?  Em outras palavras, por quê não voltar a brincar de casinha? Só pra sentir aquela sensação de montar, detalhe por detalhe, sem pressa e com todo o esmero, tudo isso pela satisfação em ver tudo pronto no final. Lembra? Pois eu tenho brincado. Bastante, até! Sou uma eterna cansada e atarefada, mas ao mesmo tempo plena, realizada. Não moro como nos meus sonhos, mas moro feliz.

Dar-se ao trabalho também pode ser prazeroso. E a gente descobre isso quando o processo todo de transformar alguma coisa se torna mais gostoso que o resultado final. Se for pra ocupar mais nosso tempo, que seja brincando, nem que seja de casinha. Aliás, quer brincadeira mais generosa que essa, se a casa não for só sua? A novidade, o humor e a cor acabam contagiando todos que dividem o mesmo teto. Mas não vamos perder o foco! Faça por você e por mais ninguém! O bem aos que estão em volta também é consequência do bem que fazemos a nós mesmas.

Dedico esse texto a todas nós, mulheres atarefadas-toda-vida, e aproveito pra deixar aqui o meu maior desejo: que vocês redescubram o prazer de brincar de casinha. 🙂

PS: Só botei uma foto de nada pra não ficar assim, um blocão de texto sem piedade. Mas, de vez em quando, dá vontade de dividir uns blá blá blás com vocês. Então já sabe, né? Quando tiver essa tag daí, trata de pegar um chá, um café e senta que lá vem a história. 🙂