garimpos no lixo

Aquilo que chama amor

Taí uma coisa que eu nunca te contei…  o estúdio onde as oficinas lá do Decora são gravadas é um lugar que mora no meu coração. Trata-se de um prédio antigo no Rio Comprido, onde um dia funcionou uma fábrica. O negócio faliu, o dono fechou as portas e… o tempo parou. Escrivaninhas, cadeiras, vitrines, quadros, relógios, slides… está tudo lá. Meio que tudo encostado pro mesmo lado… mas lá.  Aos poucos, o espaço está sendo esvaziado e dando mais espaço a um grupo de artistas de grafite, que estão montando um belo coletivo por lá. A gente grava em um andar que está todo vazio, dedicado ao Decora. Mas confesso que, a cada pausa na gravação, adoro dar uma voltinha curiosa pelos andares, como se fosse uma criança bisbilhotando um museu que está fechado, sabe? O banheiro antigo de azulejo verde água, as mesas de refeitório, os relógios de ferro, parece uma verdadeira expedição com verdadeiros tesouros! E dias desses, num desses passeios, eis que me deparo com uma caixa de papelão muito empoeirada e nitidamente castigada pela ação do tempo. Na frente, estava escrito: “lâmpadas vermelhas baixa voltagem”. Abri a caixa, dei uma olhada rápida e lá estavam elas, dezenas de lâmpadas bem escuras, arrumadinhas e embrulhadas como se tivessem saído da fábrica. “Coitadas, descartadas sem nunca terem sido usadas” – pensei.  Na mesma hora, fui falar com o Daniel, o responsável pelo prédio. “Eiii Daniel! E essas lâmpadas aqui? Posso levar?”. Para minha alegria, a resposta foi positiva: “Leve, minha filha, estão esvaziando o espaço”. “Leandro vai adorar isso.” – pensei. 🙂
E lá vim eu pra casa, com a caixa de lâmpadas na mão e um sorriso largo no rosto. Se alguma delas acendesse, faria uma luminária para o Lê! As lâmpadas eram bem escuras, quase pretas. Mas, como na caixa estava escrito “Lâmpadas Vermelhas”, resolvi pagar pra ver. Cheguei em casa ansiosa pra testar cada uma! A primeira, nada. A segunda e a terceira, também não. Assim como a quinta, a sexta e… acendeu!!! Depois de algumas tentativas, a lâmpada que era escura que só acendeu assim, com um filamento vermelho lindo de viver. 
Quando fui tirar a foto para registrar esse efeito que a lâmpada dá… cataploft. A primeira coisa que vi quando olhei essa foto foi “My Love”, escrito no filamento. ♥ Que doideira… ah… amor! 

























E foi então que fiz uma luminária pro Lê assim, com o que tinha em casa e as lâmpadas! Sim, lâmpadaS, pois de umas trinta, oito acenderam! Deixei a maioria guardada com carinho e separei duas para esse projeto. Aproveitei uma grade de ferro que eu já tinha na parede e que servia de mural de fotos e enrolei essas duas gambiarras, que tinha comprado uma vez no Leroy pra um piquenique. Para dar uma graça, fiz um zigue-zague com o fio e… só. Lembrando que essa é a parede dele. Jurisdição masculina, curadoria também, ou seja: ele decora como quiser. Meti o bedelho e não, não pedi autorização. Mas, quer saber? Sabia que ele ia gostar. E não é que estava certa? 🙂

Moral da história. Você não precisa garimpar uma caixa com dezenas de lâmpadas antigas para fazer um xodó decorativo para o seu amor. Procura aí, vai… sei que você vai inventar alguma lindeza. Por uma vida com mais surpresinhas em casa para quem você quer bem. ♥