passeie mais quem inspira

Inhotim: um presente pra dar a si mesmo.


Se tem uma coisa que eu tive muita sorte nessa vida foi de ter uma mãe comissária de bordo. Por causa da sua profissão vocação, já tive a oportunidade de conhecer muito pedacinho de chão desse mundão-de-meu-deus. Lembro uma vez, da minha mãe ter sido chamada na escola, pois quando a professora pediu para fazer uma redação sobre como tinha sido o fim de semana de cada aluno, não entendeu nada quando eu insisti que meu passeio ao Coliseu no sábado e ao Vaticano no domingo tinha, de fato, acontecido. Minha mãe, sem ter com quem me deixar naquele fim de semana, me levou a tiracolo para um bate-e-volta em Roma. A professora achou que era lorota da braba e minha mãe teve que ir até lá se explicar e me livrar dessa rs. Enfim… essa historinha foi, na verdade, pra dividir com você a alegria que essa pessoa aqui, que já botou os pézinhos no mundo algumas vezes, sentiu ao constatar que um dos lugares mais inesquecíveis já visitados por ela é, no fim das contas, tu-pi-ni-quim. ♥ 

Você já ouviu falar em Inhotim? Não? Já, mas nunca foi? Então puxe uma cadeira, aperte o play que eu vou te apresentar a sua viagem inesquecível – que você ainda vai fazer.

Inhotim é um grande museu de arte contemporânea a céu aberto. Aliás, um dos maiores do mundo. Mas essa descrição é muito simplista para esse lugar que, na verdade, é indescritível. Pra mim, Inhotim está mais para um grande parque de diversões, daqueles temáticos,  para os amantes de arte moderna, design, arquitetura… 
Aqui, você vai encontrar dezenas de fotos – mas, vai por mim, nem todas as fotos do mundo fazem jus ao que lá se vê com os próprios olhos. São dezenas de galerias que você vai percorrendo e se surpreendendo. Entre uma galeria e outra, um paisagismo exuberante, de perder o fôlego e recuperar também, como se, no percurso, sua mente relaxasse, descomprimisse e se preparasse para absorver intensamente o que vem pela frente. E não precisa ser entendido de arte para que ela te impacte, te envolva e te faça virar uma chave na cabecinha.
A maioria das galerias foram construídas especialmente para abrigar as exposições que ali se encontram. Para cada uma delas, a localização, distância e paisagismo foram também pensados para completar o conjunto da obra. Ou seja: tudo faz sentido. Tudo conversa. Tudo tem intenção. E ainda assim, não tem explicação! Cada galeria é um verdadeiro templo que homenageia a arte, a mensagem, a emoção, a reflexão, a forma e, acima de tudo o artista que materializa ali uma das maiores experiências da sua vida, sem sombra de dúvidas.
Agora, se me permite, uma dica valiosa: a sua companhia. Cada um tem seu tempo, ritmo e entendimento para contemplar uma obra. É muito importante que você vá com uma companhia tranquila e disposta a viver essa experiência. Pela grandiosidade do lugar, é complicado se separar muito e correr o risco de se perder. Por isso, minha dica é fazer o seguinte combinado: em cada galeria, todo mundo entra junto. Cada um olha o que quer, vê o que quer e sai quando quiser. Quem sair primeiro, aproveita a paisagem e espera do lado de fora. Sabe por quê tô dizendo isso? Porque fiquei com pena de certas pessoas que entravam acompanhadas em uma galeria e mal conseguiam ver nada, com o outro apressando. Não seja o mala do programa ou, mais importante, não leve um como companhia! Afinal, cada um merece ter seu tempo de contemplação, uns vão se impactar mais com uma obra do que outros. Não se deixe ter uma experiência rasa quando ela por ser a mais rica de todas. Aliás, a minha tava ótima, obrigada. E acho que essa parte é fundamental para que sua viagem seja sensacional como foi a minha. Te contei que esse foi meu presente de 30 anos? Pois é. Não podia ter sido melhor. 🙂

Essa imagem acima é de uma obra que fica ao ar livre e se chama Beam Drop. São vergalhões que foram erguidos a dezenas de metros de altura por um guindaste e despejados em uma grande piscina de cimento ainda molhado. Depois de seco, ficou assim. Essa obra fica em um dos pontos mais distantes e altos do parque e muita gente opta por usar o carrinho para chegar até lá. Minha dica? Se o dia for de sol, aproveite o calor e suba à pé mesmo, aproveitando o sol e a paisagem! Você vai chegar ao topo, se deparar com essa obra e, ainda cansado, vai virar a esquina, com calor, suando e também extasiado e encontrar uma… piscina. Sabe miragem? Daquelas piscinas límpidas, lindas, no meio do verde e que, sim, você pode mergulhar. Imaginou a experiência? Pois é. Não vou nem colocar a foto dela porque acho que você merece ter esse impacto ao vivo. 🙂 Por isso, leve roupa de banho na mochila ou vais se arrepender até o próximo retorno. 
Para que você consiga ver tudo com a atenção que Inhotim merece, 2 dias inteiros são mais do que suficientes. Um dia fica apertado demais e, com certeza, ou você não vai aproveitar, ou vai deixar muitas obras pra trás. Com calma, dá pra conhecer o parque todo em um dia e meio, dois. Aliás, se puder escolher, vá em um fim de semana de sol – o verde das folhagens fica indescritível e parece que você está dentro  de um filme do Kurosawa – ou de um protetor de tela do Windows, pronto, pra não pagar de cine-chata rs. Quanto ao calor, as galerias são climatizadas, e o sol no jardim é muito bem vindo, até para se estender uma canga, deitar e fazer nadica de nada… só descansar os pés e contemplar.
Esse aí de cima é um dos cafés do Instituto, que também tem boas lanchonetes, restaurantes deliciosos e um buffet a quilo também muito saboroso. A comida não é muito barata, mas é tão caprichada quanto o restante que você tá vendo por aqui. Você não se sente em roubada de turista, pagando caro e comendo mal, sabe? É tudo gostoso e no capricho. Para beber água, leve a sua garrafinha para encher em um dos muitos bebedouros espalhados por lá. Filtro solar, boné, biquini/sunga, canga e calçados confortáveis também fazem parte dos essenciais. Toalhas? Não se preocupe: estão à sua disposição nos vestiários para quem vai se trocar para mergulhar. E de graça. Estamos no Brasil? Sim eu sei… só queria lembrar…

Esqueça tudo o que você sabe sobre a cor verde e reaprenda num intensivão:

Inhotim fica nos arredores de Brumadinho, a 60km de BH. Nós fomos de avião até BH e, de lá, alugamos um carro. Nós não ficamos hospedados em Brumadinho, ficamos em Casa Branca, a 40 minutos de carro do parque. Mas o caminho é tão lindo, mas tão lindo, que o tempo parecia voar no trajeto. Ficamos hospedados na pousada Verde Folhas, uma charmosa casinha de fazenda com café da manhã delicioso e um verde… bom… um verde que faz jus ao nome!

Foram 2 dias de viagem. Mas tão intensos, de tantas descobertas, reflexão e comunhão com a arte – e com si próprio – que parece que foram 10. 

Para mais informações de como chegar, como comprar ingresso e programação, visite a página do Instituto aqui. Aliás, as imagens das três obras aqui exibidas foram retiradas de lá, pois não é permitido fotografar dentro das galerias. E fazem muito bem. 🙂

A pedidos, esse post faz parte da mais nova seção do blog: “Passeie mais”. Porque faz bem, porque inspira, porque a gente precisa e porque a gente merece! Quer ver os outros posts com dicas de passeios e viagens? Então passeie aqui.