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O filho que eu ia ter e a mãe que eu ia ser

Nessa seara de expectativas frustradas uma super forte foi o preparo/decoração do quarto de Fred. Pra quem não conhece existem dois tipos de decoração para quartos de bebê: fofucho-com-enxoval-com-monograma-e-berço-com-proteção-digna-de-hospício e filho-de-designer sueco.

Eu tenho um filho, o Fred. Fred acabou de fazer oito meses e nesse pequeno espaço de tempo já transformou (quase) tudo que eu pensava sobre maternidade.

Não, ele não dorme sozinho ainda. Não, ele não mamou exclusivamente leite materno. Não, ele não nasceu de parto normal natural performado por fadas do bosque.

Ter um filho, diferente do processo de maturação da ideia de ter um filho é descobrir que a gente não sabe bosta nenhuma do que tinha certeza que sabia.

Eu tinha certeza que meu filho não ia ver TV, ter objetos/roupas/brinquedos de personagens de desenho ou comer algo que não fosse orgânico, leve e preparado em casa. Fred adora American dad,dança com qualquer música do Drake, tem devoção ao Ursinho Pooh e a comida favorita dele é a broinha de milho do mega matte.

Na real não importa o quanto a gente queira ser a mãe do próximo Einstein, Mozart ou Steve Jobs. O neném vai achar graça de barulho de peido.

Nessa seara de expectativas frustradas uma super forte foi o preparo/decoração do quarto de Fred. Pra quem não conhece existem dois tipos de decoração para quartos de bebê: fofucho-com-enxoval-com-monograma-e-berço-com-proteção-digna-de-hospício e filho-de-designer sueco.

Ou seja, ou você se rende aos babados e os pastéis ou você entra de cabeça na estampa Chevron, no preto e branco e nos brinquedos minimalistas de madeira. Misturar os dois existe uma alquimia complicada que pode resultar num efeito casamento da Gretchen, você olha, sabe que vai dar merda mas não sabe o que fazer para evitar.

Resolvi então, senhora do meu tempo e disposição, Kalessi da Etsy e do garimpo em lojinhas bacanas, que eu mesma ia cuidar do conceito/composição do quartinho, com tudo personalizado e feito ou montado em casa.

Veja bem, resolvi, cheia de hormônios, esperança e com o filho ainda na barriga , antes daquela fase em que o bebê nasce e demanda toda a atenção do mundo estilo Itaú (30 horas por dia) também conhecida como puerpério/infância/adolescência/morando com os pais até os 40.

Resultado: o quarto de Fred, até agora, oito meses depois, consiste de um armário semi montado, a banheira com trocador e um sofá velho que dubla de cama para visitas. Num canto do chão caixas de objetos variados e cemitério de sonhos de uma vida produtiva, de toda uma existência organizada de fazer inveja na Michaela (pôsteres moderninhos enrolados, adesivos de parede de monstrinhos, desenhos de disposição dos móveis e moldes para móbiles de feltro).

Em dezembro começa, por forte e intensa pressão familiar, um mutirão para organizar o quarto do pequenino, que só vai fazer cama compartilhada até um ano. Oremos.